O Mundo dos Adultos
Todos absolutamente iguais.Vamos ao banco, rimos, choramos, cantamos quando não está ninguém ouvindo, pensamos antes de dormir, perdemos a noção do tempo quando fazendo algo de que gostamos... tudo. Fazemos as mesmas coisas de modo pouco diferente.Matéria orgânica, água, oxigênio, adenosinatrifosfato, cloreto de sódio... os mesmos componentes.O que nos difere senão nossos pensamentos? Há uma alma em cada um de nós?Se existir alma, o pensamento tem que ficar armazenado nela, senão que sentido faz pensar?Só eu tenho acesso ao que penso, sonho, planejo, penso, espero... Se nada disso ficasse guardado em algum lugar, seria muito disperdício de tempo e energia.Há um Deus no final das contas? Ele é bonzinho como meu pai, mandão como o pai de outros, é gente como a gente, ou feito de energia e matéria desconhecida? Deus é feito de matéria e energia escura?Se não podemos chegar a conhecê-lo em vida, será que faz sentido que fiquemos brigando entre nós para decidir (coisa que nunca acontece de verdade) quem está mais certo quanto a ele?Faz sentido também lutar pela mudança de um sistema, um país ou do mun do, quando nossas vidas permanecem estagnadas?Faz sentido que eu, Ana, decida não comer mais nada proveniente de animais para poupá-los da morte e tomar litros e mais litros de leite de soja, quando vários animais silvestres morreram quando decidiram desmatar a área para plantar soja?Nada tem feito muito sentido... Sou eu, ou o mundo dos adultos tem andado muito complicado?Marcadores: dias, ódioda hipocresia
Passarelas - Parte I
"Das gotas que do céu caem
Só sei a baixa temperatura
Dos ócios que me acompanham
Dos excessos e das lacunas
Espero apenas a trégua..."
A trégua não veio mas ainda era esperada.Entrou no shopping e lembrou das outras vezes em que lá estivera. Fobia social... era só o que lhe faltava.Comprou seu bilhete e sob garoa, hora fina hora espessa, saiu de lá desejando que algo fora do comum acontecesse.Se perdeu de sí e por muito pouco não atravessou a rua em frente a carros. Quase não atravessava aquelas ruas, sobretudo depois de saber que um amigo havia morrido atropelado alí naquela avenida.Passarela... passarela...Enquanto subia a ladeira segura que passava por cima dos carros avistou os prédios. Em um deles ela havia estado e conhecido coisas das quais não queria lembrar mas não podia esquecer."Trégua.. trégua".Ao chegar do outro lado da passarela, notou que uma fila de coletivos estavam prestes a sair e a menos que correse, não conseguiria subir em nenhum deles. "Que se foda, hoje eu tenho tempo..." pensou ela.Seus cabelos já pingavam, mas ela não se importava, desde que seus livros estivessem secos na segurança de seu lar, podia cair até uma tempestade. Como diziam alguns amigos "Tomar chuva é bom pra tirar encosto".Finalmente chegou o coletivo. Ela embarcou e caminhou calmamente bendizendo sua paciência e vontade de esperar o próximo. Ela iria sentada, diferentemente dos apressadinhos que corriam para pegar os coletivos anteriores. A vida afinal não era tão ruim assim.Olhando pela janela, se pegou lembrando das proibições que tinha violado. Era engraçado pensar que antes só visitava aquela região muito raramente e por motivos muito específicos. Agora que os motivos haviam cessado, estava ali quase todos os dias.Soltou uma gargalhada.A chuva piorara. "Legal, sem encostos e sem pulmões!! O que mais posso querer?".Então o coletivo deu um tranco e parou.(...)
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Sê los Lados
Dias que escolho
Neles me encolho
Passo o ferrolho
Fecho sem pensar
Passo pela escada
Encontro nas entradas
As horas ensaiadas
Um ensaio sem lutar
Olho os selos espalhados
Eles tem meus sete lados
Meu passado e meus pecados
Meu silêncio e meu cantar
Meus sinais de inocência
Meu ser alto e decadência
Minha falta de prudência
Meu sorrir e esperar
Esta clara impaciência
Não diz nada da ciência
Diz da pouca audiêcia
Do balir e do engasgar
Estes pontos de pendência
São pedaços de descrença
Meu maldizer e minha benção
Meu 'quero ir', meu 'devo estar'.
Há muito guardado pra se picotar.
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