11.27.2008

De Dias Entrópicos

Escondo-me entre muralhas
Meus livros e minha arte
Minhas palavras por toda a parte
Meus desesperos e minhas falhas
Meus olhos enfurecidos
Meus dias imaginados
Meus pés nunca aquecidos
Corridos e estagnados
Há tudo perdendo lados
Há lados escurecidos
Há tinta e uns tecidos
Escondo-me entre os retalhos
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Do sol que tem me aquecido
Apenas sei o fino brilho
Dos olhos que me tem olhado
Não sei nem sequer o lado
Dos versos que tenho esquecido
Há mitos que tenho guardado
Dos dias estranhos que tenho passado
Apenas uns lados e um retrato;
Meus olhos umidecidos;
Meus papéis e meus guardados


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11.08.2008

Navegar

Eu não quero pensar no que me espera
Não quero lembrar...
Eu não posso apagar os fragmentos,
Nem rasgar as folhas em que as histórias foram escritas
Não devo esperar a hora
Devo partir rumo ao incerto
Não quero voltar
Nem me despedir
Nem me acalmar
Não posso apagar as músicas que foram tocadas
Ou pixar as gravuras que foram criadas
Não devo contar histórias
Devo escrever as minhas
Devo viver o incerto
Incertezas sigo criando
Incertezas vão me guiando
Sigo louca no mar das lembranças
O meu barco é de pensamentos
Vivo-o sem poder controlá-lo
Navego contra o que é preciso
Sorrio à vida
E eis que tempestade me altera o ânimo
Não posso com minha falta de rumo
Posso apenas sentar-me aqui e fingir olhar o céu

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