Vinte Anos
Olhou o relógio. Finalmente tinha vinte anos.
Pensou em poder fazer o que quisesse, então lembrou-se da palavra moral e desanimou levemente. Ao adicionar o termo ' falsa' à 'moral' e tudo pode então fazer sentido.
Ela buscou seus papéis rabiscou algo, e como lhe faltava inspiração, resolveu voltar ao seu sono.
A mulher de vinte anos adormeceu pensando nos poucos vinte anos de passado que ela conhecia. Umas guerras, terrorismo, muita música, muita gente.....
Muito de pouco, absolutamente um nada perante aos conhecimentos que a pouco tempo havia adquirido a respeito do mundo.
Em sonho queria gritar, berrar a todos que não queria mais ter vinte anos, queria voltar a ser a menina de quinze, a menina de sete, a de cinco. Pra quê ser gente grande se ela nem ao menos podia saber a verdade de tudo?
Ser grande para amar?
Na infância seus amores lhe doíam muito menos... não haviam tantos hormônios seus ou alheios. Ela não precisava se perguntar se os pássaros a que amava, a amavam tanto quanto ela a eles. Além disso, se um pássaro se calasse pela manhã, ela não poderia julgar que por isso ele a amava menos do que nas manhãs de cantoria.
Para poder sentir de tudo?
Pra quê, se a própria moral do mundo velho em que fora criada a impediam de sentir tudo de modo intenso por vergonha do imoral, medo do irracional.
Vinte para quê?
Para quê?
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