10.31.2008

Silêncios

Sintoma diário
Indício de culpa
Leviana desculpa
Escapar do sacrário
Não dizer o contrário
Cultivar nu armário
Incertezas e culpas
Outros corpos. Diário.
Sediar sem desculpa.

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10.30.2008

Sorri

Eu sorri
O meu sorriso fez a alegria
A alegria fez estardalhaço
O estardalhaço trouxe companhia
A companhia foi tema de um traço
E os meus traços fizeram sorrisos
E os sorrisos se multiplicaram
E se juntaram numa melodia
E o silêncio então foi derrotado


Eu sorri
E o meu sorriso fez sorriso novo
Sorriso novo me sorriu de volta
Voltei um verso e colori um povo
O colorido olha ao que importa
E o importado ficou mais barato
E o barato não foi mais quebrado
E requebrando se fez nova dança
E os dançarinos não mais ensaiaram
Ensaios tortos fizeram um dia
Dia na linha virou dia raro
E todo mundo provou que podia

Eu sorri.....


Sorriso Meu
Extenso Intensidade
Meu Mundo

Mundissorrisidade

XD

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10.25.2008

Espelhos

Os espelhos secaram
Pecados não interessam
Se sabe de toda a pressa
A prece que sufocaram
.
Os sonhos se estagnaram
E os dias correm depressa
Os olhos correm com pressa
Não viram, imaginaram
.
Espelhos se têm quebrado
Assim como o imaginado
Imagens têm se afastado
O brio tem as arrancado
O caminho será guardado
Pra dias ensolarados
Aos zêlos exagerados
Papéis sendo amassados

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10.21.2008

Sal

Eu não quero estar
E não quero entender
Só quero observar
Sem te fazer querer
Quero analisar
Quero sal, quero ser
Quero me esquentar
Sem me ver aquecer
Quero me salvar
Quero sal, quero ser
Quero cem, quero ver
Quero mês, quero fazer
Quero estar sem querer
Querer ser sal sem ver
Querer ser só sem ter
Provar do sal. Querer.

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Olhares

Olhos alheios sorriram
E sorriram com certa malícia
Não escondem que não decidiram
Se escondem por trás do que viram
Encontrá-los é minha perícia
Escondi-me dos olhos outrora
Pois olhá-los a mim traz pecado
Outros tempos de um eu recatado
Outros olhos ausentes agora
Olhos meus, sempre a olhar para fora
Olhos meus, mais libertos agora

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10.18.2008

A menina da borboleta

Aquela menina que olha o céu
Acha que borboletas são todas papel
E que o sol sempre as brinda com gotas de mel
Os seus sonhos a levam aos domínios do céu

Ela riu ao mundo
E seus olhos fechou por hora
Ela é meu refúgio agora
Parte minha que ri sem demora

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10.16.2008

O amarelar do Sorriso

O Sorriso mais azul
Tornou-se do tom da imaginação
Apenas letra de uma canção
Tornou-se parte de sorriso algum

O sorriso azul se partiu
Foi sorrir à outros olhares
Se espelhar em outros lugares
Foi fechar as portas que abriu
O azul que o céu coloriu
Nas manhãs douradas de abril
Foi olhar o que ainda não viu
Remendar os frascos que partiu

A negridão das noites que eu tinha
Já não pertencem mais aos sonhos meus
As linhas tortas que antes as continha
Viraram tom de sonhos tortos meus
Os olhares, as curvas e as linhas
Algo estranho os acometeu

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10.07.2008

Como Vou

Descalça e com cabelos ao vento... caminho na chuva vestida com a nudez da alma jovem.
Escuto de modo aguçado, amo de modo sadio, peco na forma cristã, sinto com a intensidade que sente aquele que ama e odeia.
Sou o boêmio vadio perdido entre a embriaguez e as curvas de um corpo alheio; sou a menina de cabelos cacheados que corre em direção ao sol com sua inoscência e pureza.
Sou quem sou; sou quem foste e também quem fulano será.
Sou poesia inacabada que está sendo corrigida.
Sou quem ama a vida e e se emociona com a beleza de um pôr-do-sol.
Sou quem cora e quem descora, quem decora parte do mundo com o que sou nas horas em que vivo.
Entre a lágrima e o sorriso, sou um olhar: aquele que não deixa dúvidas.....

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Vinte Anos

A mulher de vinte anos acordou assustada, como se algo lhe fosse fugir do estômago pelo umbigo.
Olhou o relógio. Finalmente tinha vinte anos.
Pensou em poder fazer o que quisesse, então lembrou-se da palavra moral e desanimou levemente. Ao adicionar o termo ' falsa' à 'moral' e tudo pode então fazer sentido.
Ela buscou seus papéis rabiscou algo, e como lhe faltava inspiração, resolveu voltar ao seu sono.
A mulher de vinte anos adormeceu pensando nos poucos vinte anos de passado que ela conhecia. Umas guerras, terrorismo, muita música, muita gente.....
Muito de pouco, absolutamente um nada perante aos conhecimentos que a pouco tempo havia adquirido a respeito do mundo.
Em sonho queria gritar, berrar a todos que não queria mais ter vinte anos, queria voltar a ser a menina de quinze, a menina de sete, a de cinco. Pra quê ser gente grande se ela nem ao menos podia saber a verdade de tudo?
Ser grande para amar?
Na infância seus amores lhe doíam muito menos... não haviam tantos hormônios seus ou alheios. Ela não precisava se perguntar se os pássaros a que amava, a amavam tanto quanto ela a eles. Além disso, se um pássaro se calasse pela manhã, ela não poderia julgar que por isso ele a amava menos do que nas manhãs de cantoria.
Para poder sentir de tudo?
Pra quê, se a própria moral do mundo velho em que fora criada a impediam de sentir tudo de modo intenso por vergonha do imoral, medo do irracional.
Vinte para quê?
Para quê?
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