Luz
Um brilho surgiu em meio ao cinza do concreto da cidade.Haviam pessoas na rua. Operários, empresários, crianças de colo, idosos, pessoas sem rumo...todas elas, ao menos aos olhos daquela menina, curvaram-se diante da glória daquele momento.
Não vacilava nem perdia a intensidade. O brilho que passara a acompanhá-la permanecia exatamente como no momento em que havia surgido.
Desde que vira o nascimento daquela estranha luz, não conseguia dormir nem comer direito, o ponto luminoso havia se tornado o foco absoluto de sua existência.
Com o passar dos dias, talvez por ter perdido contato com a podridão que a cercava, a menina também passou a emitir luz, primeiro uma luz tímida que vinha dos lábios que com o tempo se intensificou e passou a criar focos, até que finalmente tomou seu corpo inteiro.
Cientistas do mundo todo se interessaram pelo fenômeno e grupos religiosos se manifestaram, dizendo alguns que se tratava de uma peça pregada pelo demônio e outros que era um milagre. Alguns chegaram a afirmar que tratava-se do messias retornando em um corpo feminino.
Por mais que todos tentassem ela nada dizia, ficava ali parada, concentrando-se talvez na luz que emanava de seu próprio corpo.
Foi então que em uma tarde de sol todas as emissoras -- que desde que a menina passara a emitir luz não davam sussego à família dela -- puderam registrar algo curioso: silenciosamente a menina se levantou, abriu os braços e envolveu o ambiente com uma luz ainda mais forte do que a que saia de seu corpo.
As câmeras queimaram, as janelas se abriram, e os presentes puderam notar que não havia mais nem vestígio de luz ou de menina. Restara apenas a garoa fria que levemente banhava as folhas do lado de fora.
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