1.25.2008

São Paulos!!!

Cidade que abriga um mundo de cores
Abriga sabores em sí contrapostos
Cidade de mestres, de órfãos e opostos
Cidade de amores, de luzes e dores
Na praça enchergas o casal de mãos dadas
Um homem que pede com seu hálito forte
Meninas vendendo seu amor nas calçadas
A viúva que espera com anseio a morte
Indizível beleza a contrastar com a feiúra
As lojas tão cheias de gente tão séria
Nas ruas as vítimas do descaso, miséria
O olhar denso e complexo de uma mulher madura
Da moda o berço, tudo o que há de moderno
Rebeldes que trazem vestindo o corpo um pedaço de revolução
Pessoas que trazem pedaços de uma outra nação
Na rua das vendas, pode ouvir-se um inferno
Queres saber do que penso dessa cidade tão dura?
É doce, amarga e traz apesar de tudo a sua própria beleza
Concede ao plebeu uns ares de realeza
É berço do livre, do ébrio e da postura
São Paulo é a bacia que contém a mistura
De um povo o engraçado, a mera caricatura

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1.24.2008

Oposto do Sábado

Viu, me esqueci de gravar esses olhos
Me lembrei de olhar estes lados
Eu sorri ao rever velhos povos
Escondi por inteiro os retalhos

Olha, me entendi ao tecer uns sábados
Me perdi ao pintar estranhos
Me encantei ao saber dos planos

Lhe sorri sem saber se estávamos
em nós ...


Sentido estranho e oposto
Sentir da vida o gosto
Achar sentido num rosto
Gostar do sentido disposto

Olhar sem dizer o que sente
Sentir sem sequer ter ouvido
Ouvir e entregar um sorriso
Sem saber se sentir mais contente

Escuto sem que você diga
Entendo sem querer
Eu vou mas parte minha fica
Não quero entender
Eu temo o momento da ida
Ando tentando decifrar sem querer...







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1.16.2008

Menina

Menina que abraça o mundo
Menina que expõe seus anseios
Menina que tem seus defeitos
Que sabe de feitos mal feitos
Menina que teme o escuro
Menina trajada de luto
Menina de ar tão maduro
Menina de lar imaturo
Menina que tem belos dentes
Menina que espalha sementes
Menina dos olhos contentes
Olhando calada o sofrer dessa gente
Menina que sabe o que quer
Menina trajada: mulher
Menina que jogam no abismo
Menina sem teu consumismo
Menina que mente buscando resposta
Inventa um sonho e o perde na aposta
Menina de frente e menina de costas
Menina tranqueira que sabe se gosta
Nos vales, nas ruas em tuas avenidas
Encontra-te e aperta-te
A ti se apega como à vida
Menina levada que te abre a ferida
A mãe, a avó, a enteada e a filha
Sorrindo caladas a desejar uma fita
A fita que em laço te aprisiona à vida

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1.12.2008

Densidade de Espírito

Olha aquela menina trajada de moça
Seu olhar ilumina tudo que alcança
Seu sorriso se espalha enquanto ela dança
Ela canta no meio daquela estação
Está vendo seu rosto sereno?
Ela viu um sorriso voltado pra ela
Ela sonha acordada em frente à janela
Não se sabe se cabe em seu peito ou não
Ela canta e sorri para estranhos na rua
Ela guarda segredos e caixas na lua
Seu olhar escorreu na janela, fez curva na fresta e seguiu para o mar
Dos seus medos abriu mão por hora
Algo novo nasceu e a devora
Lindos olhos...os quer ver agora
Não quer ir embora, quer só rir e sonhar
Algo novo em tom tão intenso
Explosão que a virou do avesso
Emoção de quem vive o imenso
Sonho bom em estado mais denso

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1.09.2008

Luz

Um brilho surgiu em meio ao cinza do concreto da cidade.
Haviam pessoas na rua. Operários, empresários, crianças de colo, idosos, pessoas sem rumo...todas elas, ao menos aos olhos daquela menina, curvaram-se diante da glória daquele momento.
Não vacilava nem perdia a intensidade. O brilho que passara a acompanhá-la permanecia exatamente como no momento em que havia surgido.
Desde que vira o nascimento daquela estranha luz, não conseguia dormir nem comer direito, o ponto luminoso havia se tornado o foco absoluto de sua existência.
Com o passar dos dias, talvez por ter perdido contato com a podridão que a cercava, a menina também passou a emitir luz, primeiro uma luz tímida que vinha dos lábios que com o tempo se intensificou e passou a criar focos, até que finalmente tomou seu corpo inteiro.
Cientistas do mundo todo se interessaram pelo fenômeno e grupos religiosos se manifestaram, dizendo alguns que se tratava de uma peça pregada pelo demônio e outros que era um milagre. Alguns chegaram a afirmar que tratava-se do messias retornando em um corpo feminino.
Por mais que todos tentassem ela nada dizia, ficava ali parada, concentrando-se talvez na luz que emanava de seu próprio corpo.
Foi então que em uma tarde de sol todas as emissoras -- que desde que a menina passara a emitir luz não davam sussego à família dela -- puderam registrar algo curioso: silenciosamente a menina se levantou, abriu os braços e envolveu o ambiente com uma luz ainda mais forte do que a que saia de seu corpo.
As câmeras queimaram, as janelas se abriram, e os presentes puderam notar que não havia mais nem vestígio de luz ou de menina. Restara apenas a garoa fria que levemente banhava as folhas do lado de fora.

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