São Paulos!!!
Cidade que abriga um mundo de coresAbriga sabores em sí contrapostosCidade de mestres, de órfãos e opostosCidade de amores, de luzes e doresNa praça enchergas o casal de mãos dadasUm homem que pede com seu hálito forteMeninas vendendo seu amor nas calçadasA viúva que espera com anseio a morteIndizível beleza a contrastar com a feiúraAs lojas tão cheias de gente tão sériaNas ruas as vítimas do descaso, misériaO olhar denso e complexo de uma mulher maduraDa moda o berço, tudo o que há de modernoRebeldes que trazem vestindo o corpo um pedaço de revoluçãoPessoas que trazem pedaços de uma outra naçãoNa rua das vendas, pode ouvir-se um infernoQueres saber do que penso dessa cidade tão dura?É doce, amarga e traz apesar de tudo a sua própria belezaConcede ao plebeu uns ares de realezaÉ berço do livre, do ébrio e da posturaSão Paulo é a bacia que contém a misturaDe um povo o engraçado, a mera caricaturaMarcadores: ódioda hipocresia
Oposto do Sábado
Viu, me esqueci de gravar esses olhos
Me lembrei de olhar estes lados
Eu sorri ao rever velhos povos
Escondi por inteiro os retalhos
Olha, me entendi ao tecer uns sábados
Me perdi ao pintar estranhos
Me encantei ao saber dos planos
Lhe sorri sem saber se estávamos
em nós ...
Sentido estranho e oposto
Sentir da vida o gosto
Achar sentido num rosto
Gostar do sentido disposto
Olhar sem dizer o que sente
Sentir sem sequer ter ouvido
Ouvir e entregar um sorriso
Sem saber se sentir mais contente
Escuto sem que você diga
Entendo sem querer
Eu vou mas parte minha fica
Não quero entender
Eu temo o momento da ida
Ando tentando decifrar sem querer...
Marcadores: dias
Menina
Menina que abraça o mundo
Menina que expõe seus anseios
Menina que tem seus defeitos
Que sabe de feitos mal feitos
Menina que teme o escuro
Menina trajada de luto
Menina de ar tão maduro
Menina de lar imaturo
Menina que tem belos dentes
Menina que espalha sementes
Menina dos olhos contentes
Olhando calada o sofrer dessa gente
Menina que sabe o que quer
Menina trajada: mulher
Menina que jogam no abismo
Menina sem teu consumismo
Menina que mente buscando resposta
Inventa um sonho e o perde na aposta
Menina de frente e menina de costas
Menina tranqueira que sabe se gosta
Nos vales, nas ruas em tuas avenidas
Encontra-te e aperta-te
A ti se apega como à vida
Menina levada que te abre a ferida
A mãe, a avó, a enteada e a filha
Sorrindo caladas a desejar uma fita
A fita que em laço te aprisiona à vidaMarcadores: mas q filosofia nada
Densidade de Espírito
Olha aquela menina trajada de moçaSeu olhar ilumina tudo que alcançaSeu sorriso se espalha enquanto ela dançaEla canta no meio daquela estaçãoEstá vendo seu rosto sereno?Ela viu um sorriso voltado pra elaEla sonha acordada em frente à janelaNão se sabe se cabe em seu peito ou nãoEla canta e sorri para estranhos na ruaEla guarda segredos e caixas na luaSeu olhar escorreu na janela, fez curva na fresta e seguiu para o marDos seus medos abriu mão por horaAlgo novo nasceu e a devoraLindos olhos...os quer ver agoraNão quer ir embora, quer só rir e sonharAlgo novo em tom tão intensoExplosão que a virou do avessoEmoção de quem vive o imensoSonho bom em estado mais densoMarcadores: dias
Luz
Um brilho surgiu em meio ao cinza do concreto da cidade.Haviam pessoas na rua. Operários, empresários, crianças de colo, idosos, pessoas sem rumo...todas elas, ao menos aos olhos daquela menina, curvaram-se diante da glória daquele momento.Não vacilava nem perdia a intensidade. O brilho que passara a acompanhá-la permanecia exatamente como no momento em que havia surgido.Desde que vira o nascimento daquela estranha luz, não conseguia dormir nem comer direito, o ponto luminoso havia se tornado o foco absoluto de sua existência.Com o passar dos dias, talvez por ter perdido contato com a podridão que a cercava, a menina também passou a emitir luz, primeiro uma luz tímida que vinha dos lábios que com o tempo se intensificou e passou a criar focos, até que finalmente tomou seu corpo inteiro.Cientistas do mundo todo se interessaram pelo fenômeno e grupos religiosos se manifestaram, dizendo alguns que se tratava de uma peça pregada pelo demônio e outros que era um milagre. Alguns chegaram a afirmar que tratava-se do messias retornando em um corpo feminino.Por mais que todos tentassem ela nada dizia, ficava ali parada, concentrando-se talvez na luz que emanava de seu próprio corpo.Foi então que em uma tarde de sol todas as emissoras -- que desde que a menina passara a emitir luz não davam sussego à família dela -- puderam registrar algo curioso: silenciosamente a menina se levantou, abriu os braços e envolveu o ambiente com uma luz ainda mais forte do que a que saia de seu corpo.As câmeras queimaram, as janelas se abriram, e os presentes puderam notar que não havia mais nem vestígio de luz ou de menina. Restara apenas a garoa fria que levemente banhava as folhas do lado de fora.Marcadores: mas q filosofia nada