8.27.2007

O Príncipe Amarelo

O menino amarelo caminha
Carrega seu cetro, com que joga taco
Sua bela coroa não brilha
Caminha em defesa daquele que é fraco
Ele anda nas avenidas
Bebe pinga em todas esquinas
Ele é macho e pra quem duvida
Mostra o dote sem fazer rodeios
Fuma pedras, divide esqueiros
Tem consigo a sacola mágica
Ele a cheira e fica tão alto...
Ardem os olhos, mas ele tem prática
Ele tem os seus próprios anseios
Já sonhou com um natal colorido
Já se quis menos dolorido
Ele quis a familia perfeita
Sem o cheiro do álcool e sem cinta
Sem o gosto do couro, sem a cama desfeita
Sem seu sangue no chão e sua mãe sobre a mesa
Ele tem seu sonho mais bonito
Ele sonha com alguém que o defenda
E te olha com aquele brilho
Você treme de medo e esconde a carteira
Ele queria teu jaleco branco
Teu terno importado, o seu macacão
Queria poder ir ao samba
Não ficar escutando atrás do barracão
Queria, num gesto inocente, que você lhe contasse uma história da vida
Ele quer tuas poucas palavras
Ele quer um conselho e num olhar te convida
Mas você o ignora
Esconde a carteira, pega o vale-transporte e vai embora
Ele também te ignora, pensa em tudo que quer e sai cantando baixo
Ele sabe que por dentro chora
Mas engole o choro, o muleque é macho
Deita em cima do seu papelão
Olha o céu e sente o duro do chão
Escolhe uma estrela e conta tudo a ela
Pede que encontre uma mãe amarela
E que ela lhe ame, e pensa na tua desfeita
Ele olha a estrela mais bela
E pede que ela, por fim, te proteja....

Marcadores: