6.12.2007

Despedida

Sei que pode parecer estranho a esta altura do campeonato, mas eu redescobri hoje algo que a muito não sentia...
Uma menina - agora em definitivo minha pequena - me chega chorando, soluça em meu ombro e diz que é um choro de felicidade por ter me conhecido...minha aluna!!!Fruto do que ensinei - ainda que em pouco tempo --parte do meu conhecimento plantado, quase em ponto de ser colhido.
É como se viesse à tona o amor materno, misturado à tristeza...foram só duas semanas , e provavelmente depois de algum tempo, não restará nem ao menos vestígio do meu nome na memória delas...talvez uma ou outra lembre da professora legal [ou chata] que tem adicionada do Orkut...serão poucas....
Me derreto pelos cantos dos olhos, mas seguro as lágrimas que teimam em cair, sou mais forte, e elas permanecem onde estavam.
Elas se vão uma a uma, umas param, me beijam, me abraçam, se despedem e seguem seus rumos...mas por que raios as palavras ditas entre soluços não me deixam a cabeça?
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Já me encontro sozinha entre pensamentos, há algo em mim que está mais vivo desde as despedidas.
Mas que droga!!! Leio as mensagens que deixaram em meu caderno e me derreto, me despedaço de saudades...será que vai ser assim todas as vezes???
Dentre tudo que há de novo em mim , uma certeza: quero fazer isso até o final de minha vida.

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6.07.2007

Cultura Nova

Como a cultura vasta haverá de faltar???
Queria eu algo de nosso,
um pouco de magia rara
Algo que tenha minha cara,
não que me obriguem a gostar
Como a poesia cara
que em pontos pequenos vem se manifestar
Ou a música pura
que não tem gingado mas dá pra dançar
Ou ainda as histórias que eu desde pequena guardo na lembrança
A roupa esquisita, pra alguns bonita, ou o uso da trança
Queria tanto uma cultura minha
Algo de minha alegria, meu tempo e idade
Não que o passado não valha a pena
Mas eu queria algo mais perto da realidade....
Queria eu saber que minhas pupilas
não serão meras pseudovivas à frente de tanques
Saber que gostam de algo de culto
E não que curtem a Fergie, e muito menos um funck
Se essa cultura minha existisse
talvez houvessem mais livros e talvez não rios de sangue
Talvez a bela magia do riso
Não exija nada de vulgo, nem nada que nos espante
Talvez a brisa e tontura da idade
Não se torne na verdade algo que envolva só carne
Talvez meu grito, pareça sussurro
Em meio de um baque surdo
E não me digam que isso é apenas
"Uma revolta sem sentido,...coisa da idade"

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6.03.2007

Valores

Do que me vale parte minha
Se não a tenho em tom intenso???
Do que me vale ter idéias
se não digo o que penso???
Do que me valem estes anseios
se não revelados e errados???
Do que me valem essas rimas
se quem as ler lerá errado???
[porque de fato o que penso
pode até estar errado
mas o que penso ninguém sabe
e ninguém sabe o que é errado
e nem o que é estar ao meu lado
e nem saber no que tenho pensado...]
E do que valem tolos sonhos
se eles serão todos guardados???
E do que vale toda arte
se quem a sente é visto quadrado???
E do que vale saber que é errado
se isso me impede de sonhar com liberdade???
Do que me vale saber que sou livre
Se essa liberdade nem me deixa à vontade???
Do que me vale sentir tão intenso
se na verdade o que sinto pode não ser bem verdade???
Só sei que vale por fim minha luta
minha sinceridade bruta exposta no papel
E sei que vale minha esperança
a perdida criança que sonha em nuvens de mel
E vale o brilho tênue do sorriso

que ainda que pouco sustento [creio de mim é o melhor]
sei, esse brilho parece besteira
mas é a minha maneira
de garantir que você tenha um dia melhor

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