3.27.2007

Canções


Um sonho parou,
caiu no paralelepípedo
Onde se espatifou
E então vi que o sonho acabou
Quando o torpedo carrancudo
Em tua morada entrou
E todos os teus sonhos levou
Como posso eu falar de amor
se com os teus sonhos, tua vida acabou?
E a vida da menininha, a da mulher grávida, do jornalista recém casado
Do homem cansado que,por ter deitado
Abrandado o cansaço de um dia de trabalho, não mais acordou
Como posso chorar por ter perdido uma chance
se o ancião perdeu uma perna e nem por isso chorou?
Se a boneca de pano, única que a triste menininha ganhou
dela se perdeu e junto de sua casa queimou?
Que a putrefação de quem a dor na criança causou
Se expanda além do que já é podre nesse ser tão asqueroso
Onde já se viu queimar os sonhos de uma menina
Por óleo gosmento que, por despertar tanta ruína
A terra , que na vida manda, pra se livrar de tal problema, expulsou?