Querer....
Quando se pára sentado na escadaNão se quer choro nem vela nem nada
Apenas quem sabe um pouco de paz?
Quando se sabe que há gente sem nada
Que há jovens que por diferentes
São assassinados a facadas
Não se quer um show, ou meninas desavergonhasdas
Quem sabe talvez um pouco de respeito pelas diferenças?
Se sei que pessoas morrem do outro lado do mundo
Que meninas chinesas vivem menos de um segundo
Que em algum lugar há um velho moribundo
Que é tratado como lixo por não ter nenhum seguro
Como posso achar que entrege aos seus braços estou seguro?
(desde quando corpos nus são coisa bela?)
Se em meio a cortiços e favelas
Meninas nem ao menos ousam em sonhar em coisas belas
Seus irmãos doentes que hoje tomam conta delas
(Não sobreviveram à fome, hoje as observam de cima)
Como posso acreditar em um Papai Noel?
Hoje vejo que apesar de sonhos
Que uma sociadade sem escrúpulos tenta incerir como meta comum
Mas apenas finge pois no fundo isso não é nem de longe interessante
(Como impedir que um povo antes ignorante;
compradores natos, propagandas ambulantes;
se torne conciente e menos induzível?)
Quando penso que a luta faz possível
Mas me vejo só, munida apenas de estilingue e canivete
Me pergunto se meu sonho impossível:
Todos vendo além daquele pobre e magro pivete
Ver um futuro, algo a mais que a porra do chiclete
Que esse pobre pivete tenta lhe vender
Esse pobre pivete com vermes
Já não pode resolver os seus conflitos
Hoje sei o que posso querer
Que a esse pobre menino sem dentes
Haja a opção de viver...

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