Viagem
Vaga o pensamento
Vagão sem rumo
Vadio sem prumo
Vão, sem cumprimento
Vai sem ser atento
Viaja... explora o mundo
Vai e se torna imundo
Voa ao firmamento
Voa e toma o mundo
Onde não cabe o mesmo
Cai o que manipula
Onde a beleza é toda crua
Não cabe o que censura
A puritana se sabe impura
A verdade é aceita, ainda que dura
Marcadores: mas q filosofia nada, ódioda hipocresia, Sentidos
Conflito
Ser ou não ser?
Ter ou não ter?
Querer ou não querer?
Lutar ou convencer?
Parar? Pagar pra ver?
Pensar. Não entender.
Ser ou não ser?
Amar ou não ter?
Amar o não-ser?
Tentar não dizer?
Querer esquecer?
Matar ou morrer?
Ser ou não ser?
Amar ou nascer?
Tentar esquecer?
Tentar aquecer?
Querer
Amar
Escolher
SER.
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Tolice
Acordou e sorriu
Como há de sorrir
A mulher que é amada
A mocinha arrumada
A menina a brincar
Se vestiu e partiu
Como há de partir
A mulher arrumada
A criança amada
A mocinha a brincar
Esperou e sentiu
Como há de sentir
A menina arrumada
A mocinha amada
A mulher a brincar
Seu coração partiu
Como há de partir
A mulher não amada
A mocinha deixada
A menina a chorar
Ela então encolheu
Como há de encolher
A mulher deixada
A menina surrada
A mocinha a chorar
Mas então entendeu
A menina cresceu
A mocinha esqueceu
Já a mulher...
Soltou o cabelo e foi arrasar
Marcadores: mas q filosofia nada, Sentidos
Cronópios e Famas
Livros são como pessoas.
Digo isso porque da mesma forma que algumas pessoas, alguns livros acabam nos marcando de forma definitiva.
Estava vadiando e então lembrei de um livro chamado Histórias de Cronópios e Famas, do Júlio Cortazar.
Um quimico argentino de barba me deu esse livro. Tanto o tal químico quanto o livro acabaram fazendo parte da minha vida.
Ainda nos tempos em que eu queria ser química, houve um dia em que esse químico, muito com ar de professor olhou pra mim e perguntou se era o que realmente queria: ser química.
Lembro que na época cheguei a me magoar com a pergunta, mas não, não era mesmo o que eu queria.
Hoje sou quase designer e posso dizer que sou muito mais feliz.
Conversávamos muito sobre literatura, poesia e arte, então ele me deu de presente o tal livro. Paguei o maior mico na época, devolvendo o livro por achar que me havia sido emprestado.
O livro faz distinção entre cronópios e famas, mas creio que todo mundo é hora cronópio e hora fama.
Cronópiopio.
Tanto o livro quanto o meu velho (pero no mucho) professor de teoria de grupos deram uma primeira sacudida na minha vidinha de quase química quase frustrada. Saí da zona de conforto depois disso.
Pablo Fiorito e Júlio Cortazar, muito obrigada. devo muito à vocês dois.
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Redespertar
A vida sorri mais uma vez...
Estendeu os braços à manhã que se iniciava e deixou que a emoção de ver os primeiros raios de sol molhasse seu rosto.
Havia andado tanto para chegar até ali. Havia se esquecido que já havia sido muito pior; fazendo um gráfido de evoluções em sua vida, estava em evolução positiva.
Haviam inúmeros projetos a que tinha se proposto. Estava disposta a lutar pela conclusão de todos eles.
Era naquele momento uma mulher motivada a vencer...
Vencer o que quer que fosse necessário.
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Estação de Caça
Aulas de Bio-qualquercoisa sempre chamaram a atenção dela. Se não acreditasse piamente que biólogos morrem de fome, ela seguiria este caminho.
A aula já estava se estendendo um pouco mais que o planejado: havia um trabalho a ser apresentado, deveria ser só aquilo e vadiagem pós apresentação.
Quando a professora finalmente parou de falar (mal) dos trabalhos, seguiram em grupo para o elevador.
Nossa personagem estava num daqueles dias estranhos em que gargalhadas e lágrimas são constantes. Estava incomodada com a frequente presença de um chato ao seu redor, mas o que poderia fazer? Já havia deixado claro dizendo "Olha, você é chato, não te quero puxando papo comigo!", mas o maldito havia achado engraçadinho e saiu rindo! Um caso típico de excesso de senso de humor.
Ao sair do elevador, seu telefone tocou. Era uma das promessas.
Ela já havia recebido uns SMSs estranhos desse indivíduo, mas achou normal, estavam se tornando amigos. O que ela não achou normal foi ter ficado vermelha ao notar de quem era a mensagem.
Um dos amigos a olhou e perguntou do que se tratava, ela riu e ficou em silêncio.
"É iniciada a estação da caça!" pensou consigo enquanto andava pela universidade em obras.
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Dias
E se...
Dentre um mundo normal
A rotina surreal
Pra quem acha que é legal
Ser do tipo que é banal
Acorda...
Banho...
Condução... uma, duas...
Trabalho...
Faculdade....
Dorme..
Acorda...
E o novo, chega quando?
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Nudez da Alma e Consequencias
Ela caminhava com sua sacola no ombro. O vento batia em sua face e fazia com que seus cabelos batessem desordenadamente em seu rosto. estava sobre o viaduto do chá.
Tanta coisa tão intensa! Desde que decidira despir sua alma tudo havia se tornado intenso, eterno, infinito...
Um som era motivo de emoção, um grito o manifestar de algo colossal, um toque acarretava sensações inimagináveis, e as palavras... as palavras se tornaram capazes de despertar sensações únicas e incrívelmente intensas.
Seu coração havia muito, vivia cheio de felicidade e ternura; seu belo ser rendido lhe oferecia o céu, e agora ela tinha asas, podia voar.
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Sentidos
Escolhas definitivas
Barreiras que desmorono,
Mudanças me tiram o sono
Forçadas as despedidas
Encontro breve amparo
No ritmo acalorado
Dos dias em que não paro
Eu sigo e me comparo
Com a Ana de outra vida
Menina toda inibida
Vontade de nem estar
Que hoje sabe que a vida
Não pode mais esperar
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Partida de Um Ponto
Minha parte menina sorria
Travessa que é nem pensou no depois
Seus fantasmas ela esquecia
Criou aquarela e um sonho compôs
Menina pensava e não se decidia
Partiu uma telha de tanto pensar
Temia o distante e o errado sentia
Sorriu bem sincero. O fez sem pensar
Vontade não lhe pertencia
Era parte do vento e queria voar
Mas o medo de altura ainda a perseguia
Tinha medo de quedas de cima do mar
Brisa leve nas mãos já sentia
Soltou-se no tempo e deixou-se levar
Seu futuro já não conhecia
Decidiu ir no vento e parar de pensar
Ser a parte sincera até ter de parar
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O Curioso Caso de Curioso
Curioso olha casa
Ao redor dela ergueram um muro
Curioso é curioso
O muro o instiga
Pular mero muro
Curioso quer saber
Curioso sobe no muro
Muro cai sob seus pés
Curioso cai e morre?
Ou cai dentro do muro?
Curioso acorda
Não há caso citado e nem mero muro
Uma história contada com fiapos de corda
Mais um sonho perdido
Mero muro no escuro
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Trecho
Das pontas que ficam
Soltas miragens
Apenas os traços
Nem sonhos, nem frases
Dos olhos que olham
Não ficam vestígio
Nem cor, nem grandeza
Nem fato e nem vício
Olham os frios
Aquecidas são as almas
Ousam os dispostos
Despistando-se do que sentem
Escutam os pacientes
Implorando por silêncio
Mas ninguém prova que alcança
Ninguém alcança provas
E assim por diante
Marcadores: Sentidos
Mente...
Mente minha que não mente
Mete a língua nos dentes
Não sabe pensar que não
Mente minha, eterna mente
Não escondeu de mim o que sente
Quis sentir escondido
Quis querer, quis em vão
Mente que tranquilamente
Não se fez indiferente
Fez o pensar contínuo e o suor nas mãos
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Cinzento
Olho no nada
Nada em peito
Enxurrada
Flor errada foi ceifada
Ar satisfeito
Hora marcada
Ponto sem nó
E um nó sem ter nada
Em suspenso, um suspiro
Uma vida selada
Um pedaço de gente
Num pedaço de nada
Nada e é só...
Marcadores: ódioda hipocresia, Sentidos
Impressões
O mundo: metamorfose constante
Viver intenso, sorrir constante, pensar contínuo
E milhares de idéiazinhas, que de insolentes que são
Se jogam na vida alheia
Nem sequer pedem licença
O mundo alheio (porque bem ou mal, cada um cultiva um mundo) causa medo
Cada mundo tem um brilho, e o brilho de alguns vem de uma redoma
Por que não no lugar da redoma uma cuspidela e uma flanelinha?
Não há mais brilho nas coisas simples?
Os dias tem que ser como os versos brancos
Nenhuma beleza previsível
Nenhum padrão estabelecido
Cheio da beleza que provém do incerto meio bagunçado
E o bagunçado nunca foi tão ordenado quanto agora
(...) ContinuaMarcadores: mas q filosofia nada, sempre